O número que você não escolhe
O consumidor residencial brasileiro não escolhe sua distribuidora de energia. Ela é definida pela área de concessão de onde você mora, opera em regime de monopólio, e cobra a tarifa que a ANEEL homologa.
A consequência é direta: duas casas com o mesmo consumo, em estados vizinhos, pagam valores diferentes pela mesma energia — e nenhuma das duas teve escolha nisso.
Esta tabela mostra quanto custa o kWh em cada distribuidora do país, da mais cara para a mais barata.
Antes da tabela: o que esse número é
A tarifa homologada é a soma de duas parcelas:
- TE (Tarifa de Energia) — cobre a geração, a energia em si.
- TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição) — cobre fios, postes, medição, perdas e encargos setoriais.
E, mais importante, o que ele não é: não inclui ICMS, PIS/COFINS, contribuição de iluminação pública nem bandeira tarifária. Todos esses entram depois, na sua fatura.
Por isso o número da tabela é sempre menor que o que você paga. Ele serve para comparar distribuidoras entre si em condições iguais — não para prever sua conta. Se quiser entender cada linha da fatura, veja o glossário da conta de luz.
As distribuidoras
Estas são as distribuidoras constituídas como empresa — concessionárias e permissionárias que atendem cidades, regiões metropolitanas e a grande maioria da população brasileira. É aqui que quase todo mundo vai encontrar a sua.
| # | Distribuidora | R$/kWh |
|---|---|---|
| 1 | Enel Rio (RJ) | 1,0611 |
| 2 | Energisa Tocantins (TO) | 1,0061 |
| 3 | Energisa Mato Grosso do Sul (MS) | 0,9866 |
| 4 | Equatorial Pará (PA) | 0,9783 |
| 5 | Equatorial Piauí (PI) | 0,9467 |
| 6 | RGE Sul (RS) | 0,9446 |
| 7 | Energisa Minas Gerais (MG) | 0,9190 |
| 8 | Cemig Distribuição (MG) | 0,9033 |
| 9 | Energisa Mato Grosso (MT) | 0,8994 |
| 10 | Equatorial Goiás (GO) | 0,8918 |
| 11 | Light (RJ) | 0,8806 |
| 12 | Neoenergia Coelba (BA) | 0,8777 |
| 13 | Âmbar Amazonas (AM) | 0,8757 |
| 14 | Energisa Acre (AC) | 0,8738 |
| 15 | Equatorial Alagoas (AL) | 0,8514 |
| 16 | Equatorial Maranhão (MA) | 0,8432 |
| 17 | Energisa Rondônia (RO) | 0,8414 |
| 18 | Neoenergia Brasília (DF) | 0,8267 |
| 19 | CEA Equatorial (AP) | 0,8251 |
| 20 | Equatorial CEEE (RS) | 0,8220 |
| 21 | CERIPa | 0,8212 |
| 22 | CHESP | 0,8197 |
| 23 | CPFL Santa Cruz (SP) | 0,8126 |
| 24 | Neoenergia Pernambuco (PE) | 0,7989 |
| 25 | Neoenergia Elektro (SP) | 0,7960 |
| 26 | Âmbar Roraima (RR) | 0,7895 |
| 27 | Enel São Paulo (SP) | 0,7894 |
| 28 | EDP Espírito Santo (ES) | 0,7893 |
| 29 | EDP São Paulo (SP) | 0,7867 |
| 30 | Neoenergia Cosern (RN) | 0,7758 |
| 31 | Copel Distribuição (PR) | 0,7680 |
| 32 | Energisa Sergipe (SE) | 0,7546 |
| 33 | SULGIPE | 0,7546 |
| 34 | Enel Ceará (CE) | 0,7498 |
| 35 | ELFSM | 0,7454 |
| 36 | CPFL Piratininga (SP) | 0,7397 |
| 37 | CPFL Paulista (SP) | 0,7395 |
| 38 | COCEL | 0,7344 |
| 39 | UHENPAL | 0,7344 |
| 40 | MUXENERGIA | 0,7018 |
| 41 | Celesc Distribuição (SC) | 0,6957 |
| 42 | EFLJC | 0,6957 |
| 43 | DEMEI | 0,6915 |
| 44 | ELETROCAR | 0,6847 |
| 45 | DCELT | 0,6835 |
| 46 | Energisa Paraíba (PB) | 0,6756 |
| 47 | EFLUL | 0,6510 |
| 48 | PACTO ENERGIA PR | 0,6424 |
| 49 | DMED | 0,6176 |
| 50 | HIDROPAN | 0,6052 |
As cooperativas de eletrificação rural
Estas são cooperativas — atendem áreas rurais delimitadas e um número pequeno de associados cada. Se você mora em cidade, sua distribuidora não está nesta lista.
Elas aparecem separadas por um motivo que fica evidente nos números: as seis tarifas mais caras do Brasil são todas de cooperativas, e a mais barata do país também é. Sendo pequenas, elas diluem o custo de rede entre poucos consumidores, e o resultado depende muito das condições locais — o que empurra os extremos nas duas direções.
| # | Distribuidora | R$/kWh |
|---|---|---|
| 1 | CERES | 1,5692 |
| 2 | CERCI | 1,5009 |
| 3 | COOPERNORTE | 1,3711 |
| 4 | CERAL ARARUAMA | 1,2063 |
| 5 | CERTREL | 1,1273 |
| 6 | CEDRAP | 1,0908 |
| 7 | CERPALO | 1,0152 |
| 8 | CERCOS | 1,0144 |
| 9 | CERAL ANITÁPOLIS | 1,0019 |
| 10 | CERIS | 0,9800 |
| 11 | CERMC | 0,9691 |
| 12 | CEREJ | 0,9619 |
| 13 | CERGRAL | 0,9343 |
| 14 | CETRIL | 0,9100 |
| 15 | CEDRI | 0,8859 |
| 16 | CERIM | 0,8823 |
| 17 | CEPRAG | 0,8639 |
| 18 | CERVAM | 0,8636 |
| 19 | CERFOX | 0,8024 |
| 20 | Ceraçá | 0,7955 |
| 21 | COOPERZEM | 0,7938 |
| 22 | CEJAMA | 0,7905 |
| 23 | CERGAL | 0,7735 |
| 24 | CERNHE | 0,7662 |
| 25 | CELETRO | 0,7513 |
| 26 | COORSEL | 0,7469 |
| 27 | CERRP | 0,7425 |
| 28 | CERPRO | 0,7425 |
| 29 | COOPERSUL | 0,7377 |
| 30 | CERTEL ENERGIA | 0,7363 |
| 31 | CEMIRIM | 0,7322 |
| 32 | CERMOFUL | 0,7157 |
| 33 | CERGAPA | 0,7150 |
| 34 | CERMISSÕES | 0,7140 |
| 35 | COOPERALIANÇA | 0,6957 |
| 36 | CASTRO-DIS | 0,6817 |
| 37 | COOPERA | 0,6643 |
| 38 | CERSAD DISTRIBUI | 0,6608 |
| 39 | CRELUZ-D | 0,6485 |
| 40 | CERAL-DIS | 0,6364 |
| 41 | COOPERMILA | 0,6360 |
| 42 | CERTAJA | 0,6333 |
| 43 | CERBRANORTE | 0,6314 |
| 44 | CERTHIL | 0,6064 |
| 45 | COPREL | 0,6042 |
| 46 | CERSUL | 0,5806 |
| 47 | COOPERCOCAL | 0,5701 |
| 48 | CERILUZ | 0,5517 |
| 49 | CEGERO | 0,5349 |
| 50 | CODESAM | 0,5342 |
| 51 | COOPERLUZ | 0,4773 |
Por que a diferença é tão grande
Considerando todo o país, a tarifa mais cara é 229% maior que a mais barata. Mesmo olhando só as distribuidoras empresa, a diferença chega a 75%.
Isso não é arbitrariedade. A tarifa cobre o custo de operar uma rede, e esse custo muda radicalmente conforme a geografia:
- Densidade de clientes. Uma distribuidora que atende área grande com pouca gente dilui o custo de rede entre menos consumidores. Cada um paga mais.
- Extensão da rede. Quilômetros de linha por cliente atendido variam muito entre uma capital e uma região de interior.
- Perdas. Perda técnica e não técnica entra na tarifa e varia bastante entre áreas de concessão.
- Encargos setoriais. Parte do que está na TUSD financia programas do setor elétrico e não fica com a distribuidora.
Metodologia
Os valores vêm da base de tarifas homologadas da ANEEL, disponível no portal de dados abertos da agência, com a base gerada em 16 de julho de 2026.
Filtramos por: tarifa de aplicação, subgrupo B1, classe e subclasse residencial, modalidade convencional, vigência ativa na data de publicação. Ficaram de fora tarifa social, baixa renda e a modalidade branca, que seguem regras próprias. O valor é a soma de TUSD e TE, convertida de R$/MWh para R$/kWh.
A separação entre empresa e cooperativa foi feita pela razão social registrada na ANEEL — não é uma classificação nossa. Um registro sem identificação de distribuidora na base da agência foi excluído.
Cada distribuidora tem seu próprio mês de reajuste anual, então a tabela reflete o que está em vigor hoje, não um retrato de uma data única. Um reajuste homologado amanhã muda a posição de quem o recebeu.
O que dá para fazer
Trocar de distribuidora não é uma opção para o consumidor residencial — o monopólio da área de concessão é o desenho do setor, não uma falha dele.
O que mudou com a Lei 14.300 é outra coisa: passou a ser possível receber créditos de energia gerados por uma usina solar, abatidos na fatura da sua própria distribuidora. Você continua cliente dela, continua recebendo a mesma conta, e a energia continua chegando pelo mesmo fio. O que muda é de onde ela veio — e o valor.
Se quiser entender como isso funciona na prática, e principalmente o que esse desconto não cobre, veja a conta honesta da energia por assinatura.
Perguntas frequentes
Qual a distribuidora de energia mais cara do Brasil?
Considerando a tarifa residencial B1 homologada pela ANEEL, a mais cara é a CERES, uma cooperativa de eletrificação rural do Rio de Janeiro, a R$ 1,5692 por kWh. Entre as distribuidoras empresa, que atendem a grande maioria da população, a mais cara é a Enel Rio, a R$ 1,0611 por kWh.
Por que a tarifa da tabela é menor que a da minha conta?
Porque a tarifa homologada é a soma de TE e TUSD, sem tributos. Sobre ela ainda incidem ICMS (que varia por estado), PIS e COFINS, mais a contribuição de iluminação pública definida pelo seu município e o adicional de bandeira tarifária do mês. A conta final é sempre maior que o número da tabela.
Posso trocar de distribuidora se a minha for cara?
Não, se você é consumidor residencial. A distribuidora opera em regime de monopólio na sua área de concessão e é definida por onde você mora. O que pode mudar é a origem da energia, por geração distribuída — mas quem entrega, mede e fatura continua sendo a mesma distribuidora.
Por que cooperativas rurais têm as tarifas mais caras e também as mais baratas?
Porque elas são pequenas e atendem áreas específicas, então o custo de rede é diluído entre poucos consumidores e o resultado depende muito das condições locais. Isso empurra os extremos nos dois sentidos — as seis tarifas mais caras do país são de cooperativas, e a mais barata também é.
De quando são esses valores?
São as tarifas vigentes em 16 de julho de 2026, extraídas da base de tarifas homologadas da ANEEL. Cada distribuidora tem seu próprio mês de reajuste anual, então a tabela mistura vigências que começaram em datas diferentes ao longo do ano.

